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Princesa Maria Elizabeth de Orleans e Bragança

Meu olhar volta-se saudoso para a figura de minha querida Mãe, a quem Deus Nosso Senhor aprouve chamar a Si, no dia 13 de maio.

Os limites naturais destas breves linhas não comportam quanto o afeto filial teria para externar.

Mamãe integrou o limitado número daquelas Princesas a quem o casamento conduziu a terras distantes.

Não imaginava ela, por certo, em sua juventude na Baviera, passar a maior parte da vida, que muito longa seria, do outro lado do Atlântico.

Assim ocorreu pelo feliz consórcio com meu Pai, o Príncipe D. Pedro Henrique, numa união que atendeu judiciosamente aos interesses das duas Casas – Orleans e Bragança e Wittelsbach – e aos ditames de coração dos dois jovens Dinastas.

Casando-se com o Chefe da Casa Imperial do Brasil, Mamãe passava a ter seu destino indissociavelmente ligado ao deste grande País, tornando-se Mãe dedicada e extremosa de doze príncipes brasileiros.

Chegada do exílio a Família, ao fim da II Guerra Mundial, o primeiro contato de Mamãe com seu “Novo Mundo” foi em Petrópolis, por breve tempo, seguido de alguns anos no Rio de Janeiro, na placidez de uma casa na Urca.

Em 1950 meu Pai estabeleceu-se como fazendeiro no Norte do Paraná, então verdadeira terra da promissão que atraía brasileiros de todas as partes.

Foi esse certamente o período mais marcante de nossa vida como família, aquele em que a identificação com o Brasil, definida pelo berço, mais se imprimiu em todos nós.

Na metade dos anos sessenta, quando a maior parte dos filhos buscava o ensino superior, veio a mudança para Vassouras.

Princesa Maria Elizabeth de Orleans e Bragança

Com a morte de meu Pai, em 1981, Mamãe passou a ser a alma do convívio familiar, que se ia dilatando pela chegada dos muitos netos.

Ao longo desse trajeto, o denso universo cultural em que hauriu sua formação se viu completado com as riquezas do viver brasileiro, que ela soube assimilar com gosto e com critério.

Na fotografia que escolhi para ilustrar este cartão, reluzem os predicados que tanto a caracterizavam: dignidade, grande distinção, brilho natural, sensibilidade, firmeza de caráter; atributos estes que se manifestavam nas mais variadas situações, desde a simplicidade da vida doméstica ao luzimento dos salões do Rio ou de São Paulo.

Sempre igual a si mesma, Mamãe deixou por todo o Brasil, em quantos a conheceram, funda impressão de afabilidade e autenticidade como Princesa.

Mas foi a Fé, recebida de seus maiores, o dom mais precioso que transmitiu e inculcou em nós, seus filhos.

Naturalmente bondosa, era igualmente firme quando estavam em jogo os princípios cristãos que constituem o fundamento da existência e do lar, bem como o cumprimento do dever.

Nas numerosíssimas mensagens recebidas por ocasião de seu falecimento, o pensamento mais presente – e que muito nos consolou – foi o de ter ele coincidido com o aniversário da primeira aparição de Nossa Senhora em Fátima, como a indicar o beneplácito de Deus Nosso Senhor em sua acolhida.

Dom Pedro Henrique, Dona Maria Elizabeth e Família
Dom Luiz de Orleans e Bragança
(Excerto do Cartão de Natal de 2011 de Dom Luiz de Orleans e Bragança).

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Todas as informações foram copiadas do site oficial da Casa Imperial do Brasil.

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